Se eu pudesse trincar a terra toda



Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se,
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo





 
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI"
Heterónimo de Fernando Pessoa



Comentários

Diana disse…
Os teus desenhos estão cada vez mais bonitos!

Adoro esta árvore! Devias emoldurar esta aguarela!
sardanisca disse…
Amiga, ainda bem que gostas! Este Natal os presentes vão ser todos handmade! Podes escolher aqui do "catálogo" :) LOL
Anónimo disse…
Gosto muito destes desenhos e desta realidade! É bem mais colorida e leve do que a que estamos habituados! Uma lufada de ar!! Por isso, obrigado.

Luís Neves

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