Tropicália, a alma mutante do Brasil


Talvez um dos melhores documentários que tive oportunidade de ver nos últimos tempos.

Nem sei muito bem por onde começar, se pelo facto de ter aprendido que o Caetano mais do que uma voz bonita foi um activista político chegando a estar exilado em Londres [acho que o cabelo dele foi a parte que  mais se ressentiu dessa experiência dado que o senhor nessa altura tinha uma juba digna de um "leãozinho"], se pelo facto de ter ficado a conhecer melhor a Rita Lee e os seus mutantes, se por ter visto um excerto do Zip Zip...:)



O documentário mostra, entre muitas outras coisas, o clima de repressão pelo qual passou o Brasil, através de excertos de curtas feitas na altura, mas como tudo no Brasil, cuja cultura tem este cunho alegre, no final mais parece tudo uma grande festa ou uma celebração... ao contrário dos realizadores europeus que registam as coisas de forma mais "séria". 
E isto nota-se no documentário Vers Madrid – The Burning Bright! que esteve também em exibição no Doc Lisboa (do Sylvain George)  e que tratava o movimento madrileno de 15 de Maio. Sendo a preto e branco o filme tornou-se logo muito mais pesado. Mas atenção, o Vers Madrid é também um excelente documentário, aliás se há povo alegre é o espanhol e há muitos "joder" pelo caminho, dedicados (com carinho!!!) ao rei (que tinha acabado de cair num safari milionário -pago pelos espanhóis, para matar um pobre elefante) e à cambada política.


Algumas vezes, no Tropicália,  perante o colorido e a aceleração dos materiais e as cores e a música e tudo a acontecer (ufa!) parece que estamos num daqueles programas (mas aqui ainda vanguardista) que deram origem, depois, cá em Portugal ao Big Show sic...

Nos inúmeros materiais que Marcelo Machado encontrou, fica também a referência ao Caetano e Gilberto Gil no programa Zip Zip apresentado na altura pelo (maravilhoso) Solnado e por um ainda muito novo Sr. Televisão...

Gostei (mesmo muito) de ver o Tom Zé ["Numa ditadura pensar é crime" ] a explicar a "sombra da ditadura" e da forma engraçada como ele decide subir a cadeira segurando no seu casaco para realmente projectar a "dita sombra dura":) 
(a parte em que ele quase arranca o micro também não é se deixar passar sem uma gargalhada!)
Hilariante:). 


Gostei  mesmo de tudo!

Só tive só pena de que no final, nós portuguesinhos de rabo pesado não nos tivéssemos levantado para aplaudir o realizador que esteve lá - não obstante o facto de se ter aplaudido o documentário 3 vezes. 
Mas isto fez-me recordar uma amiga carioca que há pouco tempo esteve cá e, ao terminar a actuação do António Zambujo se levantou (como se tivesse molas) para o aplaudir de pé e incrédula, no meio de uma plateia sentada pergunta-me:" nossa, vocês não aplaudem os músicos de pé, não?" ao que respondo também (já) de pé (mas que podia ser confundido com o ir embora...) "bem... sim, mas acho que estou mais habituada a ver isso no teatro!".

E lá saí do São Jorge ressentida (comigo mesma, acima de tudo) por ter o rabo pesado!
Mas eis que o universo me brindou com mais uma oportunidade que aproveitei! O Marcelo Machado saiu e ficou à nossa frente: dei-lhe um grande sorriso, cheio de tropicalismo, acompanhado por umas belas palmas no meio da rua. Ele retribuiu (o sorriso, claro) e deve ter ficado a pensar "quem é essa louca!?" - sou uma  fã, Marceloooo, uma fã! :)))
e como as salas de cinema também são feitas de quem por lá está [pessoas] aqui fica o registo de um grupo bem disposto à minha frente!

Tropicália, a alma mutante do Brasil




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